Rastreabilidade de tubos de aço é a capacidade de recuperar o histórico de produção do lote de tubo desde a origem da matéria prima. A ligação se faz pelo número de corrida, que para algumas Normas pode estar marcada no tubo e registrado no certificado da usina. É ela que permite localizar um lote com defeito, investigar uma falha, responder a uma auditoria e comprovar a origem do material numa obra certificada.
Quando um lote de tubo chega à obra sem o número de corrida na marcação, ou com um Certificado que diz apenas “tubo de aço 4 polegadas”, este certificado da usina fica sem ter a que se ligar. A primeira auditoria de qualidade transforma essa lacuna numa não conformidade registrada. A obra passa então a ter de provar a origem do material por outro caminho, com custo, prazo e, às vezes, a troca do lote inteiro por um que tenha documentação.
O encadeamento entre tubo e certificado começa na usina e passa pelo distribuidor antes de chegar ao cliente. Nas linhas de tubos condutores, estruturais e industriais, o certificado de qualidade emitido pela usina acompanha cada lote. É a peça que fecha a ligação entre o aço que saiu da aciaria e o tubo que foi instalado.
O que é rastreabilidade em tubos de aço?
Rastreabilidade em tubos de aço é a capacidade de identificar a origem de cada tubo. Com ela se reconstrói o caminho do tubo, desde a corrida de aço na usina até o ponto da obra em que foi instalado. Para isso ela usa a marcação física do tubo e os documentos que acompanham o lote ao longo da cadeia.
Norma internacional de sistema de gestão da qualidade, a ISO 9001 trata o tema no requisito de identificação e rastreabilidade. Quando a rastreabilidade é exigida, a empresa certificada precisa identificar cada produto e guardar os registros que permitem seguir o caminho dele.
Os elos da cadeia guardam partes diferentes do registro, a começar pela usina, que emite o certificado por corrida, e pelo distribuidor, que liga a nota de compra ao certificado e à própria nota de venda. O cliente confere tudo no recebimento, e a obra registra onde cada tubo foi aplicado.
Por que a rastreabilidade importa em tubos de aço
Em tubos de aço, a rastreabilidade importa porque separa um problema localizado de um problema sem tamanho definido. Com o número de corrida registrado, um defeito de fabricação atinge os tubos de um lote conhecido. Sem ele, qualquer tubo da mesma medida instalado na obra passa a ser suspeito, e a investigação precisa começar do zero.
No recolhimento de lote com defeito (recall), na análise de uma falha em serviço, na discussão contratual sobre quem forneceu o quê e na auditoria de qualidade, que em obra pública costuma vir acompanhada de fiscalização com poder de reter a medição, a primeira pergunta é de onde veio aquele tubo, e quem responde é a marcação do tubo.
Para quem compra, o benefício é a segurança documental, com cada tubo ligado ao certificado da usina.
O que é número de corrida (heat number)?
Número de corrida, ou heat number em inglês, é o código que identifica a corrida de aço produzido na aciaria. Cada corrida sai com composição química e propriedades próprias, medidas pela usina, e o número liga a corrida daquele aço ao certificado de qualidade que registra essas informações.
Corrida é a fornada de aço líquido que a aciaria produz e solidifica antes de o material seguir para a fabricação do tubo. Dela saem muitos tubos, às vezes de medidas diferentes, todos com o mesmo número, e por isso o número de corrida funciona como a chave de busca da rastreabilidade inteira.
Para o comprador, o número de corrida aparece na marcação do próprio tubo, o certificado de qualidade do lote e precisam ser consistentes. Quando há divergência a ligação se rompe, e a conferência deve parar ali até ser explicada pelo fornecedor.
Como funciona a marcação de identificação do tubo
Marcação de identificação do tubo é o registro que a usina aplica no corpo do tubo ou no amarrado, conforme a norma do produto. Ela costuma trazer o nome ou a marca do fabricante, a norma, o grau, as dimensões e o número de corrida ou de lote, para que o tubo possa ser identificado sem documento ao lado.
Os métodos mais comuns são a pintura por estêncil ao longo do tubo, a estampagem em baixo relevo e a etiqueta metálica presa ao amarrado, sendo que cada norma de produto define o que precisa ser marcado e onde.
Tubo cortado em obra ou em fábrica pode perder a marcação original no pedaço que sobrou. Quem corta precisa transferir a identificação para as partes, com o mesmo número de corrida, antes de o material seguir para estoque ou montagem.
Documentação de rastreabilidade
Documentação de rastreabilidade é o conjunto de papéis que liga o tubo físico ao lote de fabricação e à compra. Fazem parte dele o certificado de qualidade da usina e os registros que o distribuidor e a obra mantêm. Sem eles, a marcação no tubo fica sem comparação.
| Documento | Quem emite | O que ele liga |
| Certificado de qualidade do material (mil certificate) | a usina, por corrida ou por lote | o número de corrida às propriedades e aos ensaios do aço |
| Nota fiscal do fabricante | a usina | o lote vendido ao distribuidor |
| Nota fiscal do distribuidor | o distribuidor | a norma, a medida e a corrida vendidas ao cliente |
| Registro de recebimento | o cliente | a conferência feita na chegada do material |
| Registro conforme construído | a obra | cada tubo ao ponto em que foi instalado |
Certificado de qualidade do material (mill certificate)
Chamado de mill certificate no mercado, o certificado de qualidade do material é o documento que a usina emite para cada corrida ou lote. Ele reúne a composição química medida, as propriedades mecânicas e os ensaios feitos antes da liberação, e comprova a origem do tubo quando o número de corrida dele bate com o da marcação.
Nota fiscal com identificação de norma
Na nota fiscal, o tubo precisa estar descrito com norma, grau, diâmetro, espessura ou schedule e, quando o contrato pede, o número de corrida. Uma linha como “tubo ASTM A106 grau B, 4 polegadas, SCH 40, corrida no certificado anexo” cumpre esse papel, e a que diz só “tubo de aço” obriga a obra a provar a origem do material.
Registros do distribuidor e da obra
Cabe ao distribuidor manter a correspondência entre a nota fiscal que recebeu da usina, o certificado daquele lote e a nota fiscal que emitiu para o cliente. É essa correspondência que permite localizar um lote depois da venda. Na obra, o registro conforme construído, o as-built, anota onde cada tubo foi aplicado e fecha o último elo da cadeia.
Rastreabilidade em setores críticos
Nos setores críticos, a rastreabilidade é exigência formal, que vem do contrato, do cadastro de fornecedor ou da regulação do setor. Neles, a documentação é conferida tubo por tubo e corrida por corrida, antes de o material ser aceito na obra ou na planta industrial.
No óleo e gás, o fornecedor da cadeia da Petrobras passa por cadastro próprio, o CRC, e as normas de tubo do setor, como a API 5L, trazem exigências de identificação e de documentação por lote. A ASTM A106, usada em linhas de vapor e de processo, segue o mesmo princípio.
Em obra pública, infraestrutura e construção civil certificada, a exigência costuma vir do contrato. Cabe ao projeto e ao contrato dizer o nível de documentação exigido em cada fornecimento, e à distribuidora entregar o lote com os documentos que esse nível pede.
Custo e benefício da rastreabilidade completa
Rastreabilidade completa tem custo, porque exige processo interno, conferência de documento, controle de estoque por corrida e mão de obra para manter os registros em dia. Esse custo aparece em cada etapa da cadeia, do recebimento na distribuidora até a instalação na obra.
O benefício aparece no recebimento do produto ou quando algo dá errado, porque um recolhimento de lote atinge só os tubos daquela corrida e uma falha em serviço pode ser investigada a partir do certificado. A auditoria encontra os documentos na pasta, sem exigir ensaio do material instalado. Para quem compra, o custo de exigir rastreabilidade na cotação é pequeno perto do custo de reconstruí-la depois.
Como conferir a rastreabilidade no recebimento
No recebimento, a conferência da rastreabilidade compara a marcação física do tubo com o certificado de qualidade do lote. Feita na chegada do caminhão, a conferência ainda permite ao comprador recusar o material sem custo de desmontagem.
Uma nota com a linha “tubo de aço carbono ABNT NBR 5590, preto, 3 polegadas, SCH 40, barras de 6 metros, corrida conforme certificado anexo”, por exemplo, chega com o certificado da usina e com os amarrados marcados, e a conferência dela segue esta ordem:
- Passo 1: leia a marcação de um tubo de cada amarrado e anote norma, grau, dimensões e número de corrida (se aplicável).
- Passo 2: abra o certificado de qualidade anexo e confira se o número de corrida é o mesmo da marcação e se a norma e o grau coincidem com o pedido.
- Passo 3: compare a descrição da nota fiscal com o certificado e com a marcação, e registre qualquer diferença antes de assinar o canhoto.
- Passo 4: arquive a nota, o certificado e o registro de recebimento juntos, identificados pelo número do pedido, para que a obra possa anotar depois onde cada lote foi aplicado.
A definição do material e do grau para o projeto cabe ao engenheiro responsável. O papel do distribuidor é conferir se a bitola pedida existe na norma citada, verificar disponibilidade e entregar com a documentação correta.
Perguntas frequentes sobre rastreabilidade de tubos de aço
O que é rastreabilidade em tubos?
Rastreabilidade em tubos é a capacidade de ligar cada tubo ao lote de aço em que foi fabricado, usando o número de corrida marcado no tubo e registrado no certificado da usina. Com ela, a empresa localiza lotes com defeito, investiga falhas e comprova a origem do material em auditoria.
O que é número de corrida (heat number)?
Número de corrida, ou heat number, é o código que identifica o lote de aço produzido de uma vez na aciaria. Cada corrida tem composição e propriedades próprias, registradas no certificado de qualidade da usina. O número aparece na marcação do tubo, no certificado e, quando o contrato pede, na nota fiscal.
Como fazer rastreabilidade?
A rastreabilidade se faz exigindo na compra o certificado da usina por lote e a nota fiscal com norma, grau e dimensões, conferindo no recebimento se o número de corrida da marcação bate com o certificado, arquivando os documentos juntos e registrando na obra onde cada lote foi aplicado.
Rastreabilidade é obrigatória?
A obrigatoriedade depende do setor e do contrato. Em óleo e gás, obra pública e setores regulados, ela costuma ser exigência formal. Empresas certificadas na ISO 9001 precisam controlar a identificação do produto quando a rastreabilidade é requisito. Em outros casos, é boa prática que protege o comprador.
Como marcar tubo de aço?
A marcação do tubo de aço é feita pela usina, conforme a norma do produto, por pintura com estêncil, estampagem em baixo relevo ou etiqueta no amarrado. Ela costuma trazer fabricante, norma, grau, dimensões e número de corrida. Tubo cortado precisa ter a identificação transferida para cada parte.
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Tubos Oliveira: tubos com certificado da usina em cada lote
Distribuidora atacadista de tubos de aço carbono desde 1987, a Tubos Oliveira mantém mais de 4.500 itens em estoque na matriz de Guarulhos, com 44 mil m² de área, e filial em Sertãozinho. A empresa é certificada ISO 9001, mantém CRC Petrobras ativo e entrega os tubos com o certificado de qualidade da usina, conforme as exigências de cada fornecimento.
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