Siderurgia perde R$ 9 bi em valor de mercado com greve!

By 30 de maio de 2018Notícias

Largamente afetada pela greve de caminhoneiros, a siderurgia é um dos setores mais penalizados pelo mercado financeiro neste período. Com dificuldades de entrega de produtos e, em alguns casos, de recebimento de insumos, CSN, Gerdau e Usiminas perderam mais de R$ 9 bilhões em valor de mercado. Ontem, as ações preferenciais
classe A da Usiminas caíram 7,33% na B3, para R$ 8,35, enquanto as ordinárias da CSN recuaram 10,04%, para R$ 7,35, e as preferenciais da Gerdau tiveram queda de 6,25%, para R$ 14,86. Desde o dia 21, quando a paralisação começou, a desvalorização acumulada é de 21,8%, 20,7% e 16%, respectivamente.

Usiminas atinge o pior valor de mercado desde novembro, CSN o menor desde dezembro e Gerdau não era tão mal avaliada desde fevereiro. Somadas, as três tiveram queda de R$ 9,45 bilhões.

Levantamento do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) mostrou que mais da metade das associadas parou de vender nos últimos dias. No setor automotivo, Fiat, Ford e General Motors (GM), por exemplo, pararam a produção de algumas unidades. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), 92,7% das filiadas tiveram impacto na operação, de falta de matérias-primas a paralisação parcial da produção e dificuldades na exportação. Os três setores são os maiores consumidores de aços planos.

A venda de aços longos também foi interrompida em alguns casos. No mercado imobiliário, a entrega de concreto foi a primeira a ser comprometida, mas há relatos de construtoras que já são impactadas pela falta de aço, um dos principais insumos, em algumas obras, desde a semana passada.
“As siderúrgicas são altamente expostas à atividade industrial, que foi afetada pela greve de caminhoneiros”, diz Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos. “Certamente o faturamento de maio já terá impacto, especialmente na área de planos, e pelas minhas contas ele é por enquanto de 15% a 20%. Em um trimestre, isso pode responder a até 7% menos receita.”

Não só esse efeito pressiona os papéis do setor, no entanto. Outro analista lembra que as três companhias concentram na bolsa os maiores casos de elasticidade em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, se a percepção é de retomada da economia, elas ganham consideravelmente. Se há mudança no humor, elas também
sofrem mais em bolsa. O Ibovespa recuou 8% no mesmo período. O mercado financeiro já começa a avaliar que a curva ascendente de resultados da siderurgia possa se modificar, com o crescimento mais relevante ficando para o fim do ano. “Se maio teve esse efeito negativo, e potencialmente menores volumes diluem menos o custo fixo e corroem a rentabilidade, ainda mais depois de as vendas de aço não virem animadoras em abril, é possível que só haja boa notícia no balanço durante o terceiro trimestre”, declarou uma fonte.

A impossibilidade de entregar aço já contratado pelos clientes pode atrasar a contabilização de receitas pelas siderúrgicas, mas por enquanto há poucas notícias de cancelamentos, dizem fontes. O maior perigo, acrescentam, é de haver paradas na produção, o que deterioraria mais os resultados.

Para uma das grandes usinas de planos, não foi possível faturar nenhum lote de o dia 21. As exportações foram mantidas e a produção também, mas haverá um problema logístico de entrega mesmo quando não houver mais nenhum bloqueio.

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